FY VISITA: GALCIANI NEVES

FY VISITA: GALCIANI NEVES

2022-05-13

 

Galciani Neves é professora (FAAP e Universidade Federal do Ceará) Com mestrado e doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, autora do livro “Exercícios críticos: gestos e procedimentos de invenção” (Educ – SP e Fapesp, 2016) e desenvolve projetos curatoriais que traçam diálogos entre arte, literatura e questões ambientais. atualmente é uma das diretoras artístico-pedagógicas da Biblioteca - Floresta.

 

FERNANDA YAMAMOTO: Você é nossa cliente há muito anos. O que mais conecta você com a marca?

GALCIANI NEVES: Existem alguns pontos muito importantes para mim que perpassam tanto pelo meu trabalho quanto pela minha vida pessoal, que eu identifico como instâncias indissociáveis e que estão relacionados com a transparência dos procedimentos, sustentabilidade e também uma construção que tem a ver com gênero.

 

Acredito que o trabalho da Fernanda e de toda a equipe passeia, transita e é fundado nesses pilares, além de ser uma marca que preza por sustentabilidade, uma moda consciente, por um consumo consciente. Eles estão todo tempo atentos a essas questões. E claro, é fundamental pensar que se trata de uma marca de uma mulher brasileira.

 

Outro fator muito relevante está na transparência dos procedimentos. O ateliê é aberto, o que possibilita acessar o processo de criação, ver quem está por trás das roupas, as fontes geradoras das coleções.

 

FY: Você já participou de algumas atividades realizadas pela marca. O que você acha dessa relação que extrapola a relação de cliente/ loja?

GN: Uma característica muito importante da Fernanda Yamamoto é que ela envolve as clientes, ou melhor dizendo, as admiradoras do trabalho dela. Eu participei de dois catálogos, incluindo o que foi feito em comemoração aos 10 anos. 

 

Estava grávida na sessão de fotos dos 10 anos, quando apareci no set com a peça escolhida, a Fernanda fez questão de mudar o look para algo que evidenciasse minha barriga. Isso me marcou. Não era um corpo padrão. Toda a equipe é bastante atenta a que corpos elas vestem, são mulheres de várias idades, com cores diferentes da minha, com características de corpos parecidos com o meu e diferentes do meu. Bem democrático. Essa preocupação ficou ainda mais evidente no dia da foto. 

 

Eu também participei de um evento na loja, onde realizei uma palestra sobre mulher e arte. Foi muito significativo, pois acabei falando para um público diferente, que não estava ali especificamente para me ouvir, mas houve uma forte conexão. A roupa me aproximou das pessoas que fazem parte da marca. Esse momento de escolher essa segunda pele, uma outra camada de conexão com meu público e as pessoas com quem eu trabalho, é um momento tão importante quanto a minha personalidade, a minha subjetividade.

 

Que a importância que você dá para moda como uma forma de expressão pessoal e cultural?

Acho que as manifestações culturais de uma forma geral – a moda, a arte, a poesia a literatura, a dança - são indissociáveis do momento em que a gente vive e de um contexto político. Todas essas atividades são socialmente inseridas num contexto que tem uma natureza complexa, que tem a ver com cultura, política, sociedade, com questões relacionadas a gênero, ao meio ambiente. É impossível se falar da moda sem falar disso tudo e o trabalho da Fernanda cumpre esse papel. 

 

Em paralelo, num momento em que estamos próximos do ponto de não retorno para o clima global, é fundamental pensar em como a gente consome, o que a gente consome, as formas de produção, os contratos profissionais que perpassam por essa atividade. É importante que a gente confie no que a gente escolhe para vestir. 

 

O que você teria a dizer especificamente sobre as peças que você usou nas fotos do Fernanda Yamamoto Visita? 

Foram peças lindas! Usei uma blusa cinza com uma gola super bonita, em malha block, um tecido que eu amo, pois tem uma textura, é chic e confortável, não amassa, não perde a forma. Você pode levar na mala que chega ao destino pronto para usar. Se eu saio com meus filhos - o que significa brincadeira, colo, amamentação -, a peça continua perfeita. O outro modelo foi um vestido cinza, num tecido que parece uma lãzinha, com uma modelagem fluída, muito confortável e prático. 

 

Por fim, o vestido estilo quimono branco, elaborado num tecido texturizado, maravilhoso! Com uma construção geométrica, faz jus a ideia da segunda camada sobre a qual falei antes. Tem uma aderência na pele muito confortável, coloca a gente em outro patamar. 

 

A roupa FY é meio uma escultura. Você carrega uma forma que abraça, acolhe e desenha o corpo. Eu me sinto como se eu fosse parte de um objeto escultórico com ela. 


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